21.11.2011

Otite em cães e gatos

Há alguns meses atrás notei que a Belinha estava com um cheirinho estranho na região da cabeça mesmo depois de poucos dias após o banho na petshop, mas não dei muita atenção, pensando que poderia ter sido um banho meio “matado”, sabe? Aí, na segunda semana após ter notado, a veterinária me informou que ela estava com otite. Após o tratamento recomendado pelo veterinário (inclusive com uso de antibióticos), a Belinha ficou curada. Mas mesmo assim, fui pesquisar a respeito e achei interessante dividir com vocês, pois muitas vezes a doença pode passar despercebida pelos donos.

Vejam só como se dá esta doença, bastante comum entre cães a gatos, e saiba como evitá-la com as dicas do Dr. Marcelo Quinzani, publicada na  Pet Mag:

Sintomas: Vermelhidão da orelha, coceira persistente, odor desagradável, secreções amareladas ou marrons.

Muitas vezes vemos o animal com a cabeça pendente para um dos lados ou apresentando dor e desconforto no simples toque de mãos na orelha, o que também indica alguma alteração”, explica Dr. Marcelo Quinzani, diretor clínico do Hospital Veterinário Pet Care, de São Paulo.

Um dos problemas mais comuns que acometem a região é a otite, uma inflamação ou infecção do canal da orelha. Essa doença pode se desenvolver devido a diversos fatores que levam à proliferação do cerume, fungos e bactérias, causando diferentes tipos de otites.

Entre as causas mais comuns, Dr. Marcelo Quinzani cita as seguintes:

- Parasitas: carrapatos, sarna de orelha;

- Presença de corpos estranhos: grama, medicação ressecada, cerume, pelos mortos, água;

- Alergias: dermatite atópica, alergia alimentar;

- Ambientais: calor e umidade;

- Anatômicas: estenose de conduto ou orelhas abafadas;

- Doenças que alteram a renovação de pele: desordens de queratinização.

A otite é um problema sério e, se não for tratado corretamente, pode causar alterações irreversíveis no canal auditivo, como, por exemplo, estreitamento, a perfuração do tímpano e encefalite decorrente da presença de bactérias. “Se o canal auditivo fica muito estreito e não for possível fazer o tratamento correto, recomenda-se até uma cirurgia para retirada do mesmo”, afirma. “Nem sempre uma melhora geral, como a diminuição da secreção, odor e o animal não aparentar mais desconforto são sinais de que o problema está resolvido. Muitos donos suspendem a terapia precocemente, o que diminui as chances de cura”, alerta Quinzani.

Tratamento – para tratar uma otite é preciso primeiro identificar a causa primária por meio de uma anamnese, um exame clínico com otoscopia, exame citológico no microscópio e, se necessário, proceder a uma cultura e antibiograma. O tratamento pode ser feito por meio da utilização somente de soluções tópicas dentro do canal ou associação de solução tópica mais um antiinflamatório e antibiótico oral. O veterinário é quem irá indicar os produtos mais adequados para cada caso.

Como prevenir – para evitar que entre água no canal auditivo, é importante sempre colocar algodão nas orelhas dos pets durante o banho e secar as orelhas dos cães que entram em lagos ou piscinas. “Também é importante manter as orelhas ventiladas e tosadas, principalmente dos cães com orelhas pendentes, como é o caso das raças cocker spaniel, basset hound e setter irlandês, por exemplo”, comenta.

O mais importante é realizar visitas periódicas ao médico veterinário, nas quais é realizado um exame clínico adequado, que pode identificar o conduto auditivo e a possível presença de alterações na sua anatomia ou mesmo presença de cerume e parasitas.

Higienização correta – a limpeza das orelhas deve ser feita de acordo com a prescrição do veterinário, mas geralmente um ouvido em condições normais requer limpeza a cada dois e três meses, de acordo com a quantidade de cerume acumulado. “É importante que a higienização seja feita por um profissional que possui técnicas e equipamentos adequados”, alerta.

É possível fazer a limpeza doméstica, mas apenas com algodão seco e na parte externa da orelha. “Nunca se deve usar hastes flexíveis ou pinças com algodão e muito menos pingar produtos ou medicamentos sem orientação do médico veterinário”, orienta Quinzani.

 Por Karla Keunecke

♥♥♥

Fonte: PetMag

Foto: via Gr Zero

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Karen Melzer

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26.10.2011

Ingestão de água de piscina

É muito comum na primavera e no verão escutarmos relatos sobre cães que ingerem água da piscina. Este é um hábito que devemos evitar. Esta água contém níveis de cloro muito altos que podem levar a uma série de efeitos danosos ao cão. Abaixo listo alguns sinais que podem ser observados após ingestão:

* Queimadura na boca e garganta com inchaço do local e dificuldade de respirar;

* Lesões no estômago que geram vômitos muitas vezes com sangue vivo ou sangue digerido (vômito ‘borra de café’);

* Dores abdominais;

* Fraqueza e desmaios;

* Insuficiência hepática e cirrose em cães que ingerem água da piscina em pequenas quantidades por longo tempo.

Também verificamos que aqueles cães que permanecem na água por um longo período podem apresentar alterações de pele como descamação e dermatites. O ideal após o cão entrar na piscina é dar um banho completo (com shampoo ou sabão) para retirar todo o cloro. Além do cloro, a água da piscina também tem outros produtos químicos como algicidas e clarificantes, tornando-a totalmente imprópria para a ingestão. Caso o seu cão tenha este hábito, leve-o para um check-up com o veterinário.

Dra. Viviane Dubal – CRMV/RS 8844

Formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e proprietária da Clinica Veterinária Saúde Animal em Porto Alegre.

Contato: vivianesd@bol.com.br

Foto: via Bem Legaus

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Karen Melzer

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03.10.2011

Cistite canina

A cistite consiste na inflamação da bexiga, é uma vesicopatia muito vista na rotina clínica. Podemos ter várias razões para o seu surgimento:

* origem bacteriana: a contaminação bacteriana pode ocorrer pela migração de bactérias das fezes para a uretra e bexiga. Muito comuns em fêmeas após o cio e em machos e fêmeas que têm o habito durante a micção de contatar o chão ou outra superfície, assim propiciando a entrada de bactérias. Também temos algumas patologias renais que podem levar a cistite;

* origem medicamentosa: cães que estão em tratamento com quimioterápicos podem apresentar cistite tanto pela ação do quimioterápico no local quanto pela redução da imunidade;

* secundária a outras doenças: algumas patologias podem ser responsáveis pelo surgimento da infecção como vemos em casos de diabete mellitus que pode gerar um quadro chamado cistite enfisematosa;

* tumores e cálculos: a presença destes pode gerar lesões na parede mucosa da bexiga e propiciar o surgimento da cistite;

* origem fúngica: cães imunodeprimidos podem ser mais suscetíveis à contaminação por fungos e seu crescimento no interior da bexiga.

A cistite pode se apresentar de forma aguda com surgimento repentino ou forma crônica com quadros que se estendem por mais tempo. Os sinais clínicos observados incluem aumento da freqüência de micções, febre, odor desagradável da urina e prostração. Em casos de cistite hemorrágica ou tumores vesicais, a urina pode ser composta na sua maioria por sangue vivo ou coágulos. Em casos de cálculos vesicais a urina pode ter a presença de sangue e de pequenos cristais semelhante à areia.

O diagnóstico é realizado pelo exame clínico do cão, ultrassonografias abdominais e exames de urina e de sangue. Para a cistite bacteriana o tratamento é realizado com uso de antibióticos e exames de controle. Nos casos de cálculos vesicais se faz além da medicação, alterações na dieta com introdução de ração especial e, se necessário, cirurgia para retirada dos cálculos. Quando a cistite é gerada pela presença de tumores, indica-se procedimento cirúrgico e biópsia do material.

O prognóstico da cistite varia de acordo com o caso, mas em geral cistites bacterianas têm resolução simples e rápida, enquanto os tumores têm um prognóstico que varia de acordo com seu tipo e classificação.

A prevenção pode ser feita oferecendo ração de boa qualidade, de preferência sem muitos petiscos e evitando totalmente alimentos humanos. A higiene também é importante, principalmente em fêmeas no cio com limpeza do local e banhos regulares.

 Legenda da foto acima: Nos casos de cistite, ocorre um espessamento da parede da bexiga com inflamação e redução do interior, por isso os cães têm necessidade de urinar com maior freqüência e em pequena quantidade.

Fotos: reprodução

 

Dra. Viviane Dubal – CRMV/RS 8844

Formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e proprietária da Clinica Veterinária Saúde Animal em Porto Alegre. Contato: vivianesd@bol.com.br

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19.09.2011

Coprofagia canina

É muito comum no consultório a reclamação de que o cão está comendo fezes, às vezes são suas próprias e as vezes, de outros animais. Há uma atração natural do cão por fezes de animais herbívoros (cavalos e bovinos), principalmente aqueles cães que estão com deficiências nutricionais. Consideram-se normais aquelas fêmeas que fazem a higiene de seus filhotes ingerindo fezes e urina dos mesmos. A coprofagia é considerada anormal quando o cão ingere seus próprios excrementos ou de outros cães.

Este comportamento inadequado ainda não foi completamente elucidado, no entanto existem algumas razões que exemplifico abaixo:

  • coprofagia em resposta à punição por sujeira em local inapropriado, assim o cão faz a remoção das evidencias e não é punido;
  • doença endócrina: hipertireoidismo, diabete mellito;
  • coprofagia induzida pela administração de drogas como glicocorticóides e fenobarbital;
  • doença que leve à assimilação de nutriente de forma insuficiente: enteropatia inflamatória ou parasitismo intestinal.

Verificamos alguns sinais clínicos nos pacientes coprofágicos:

  • Halitose (hálito com odor desagradável);
  • Sinais gastrointestinais: vômitos, diarréia, flatulência, eructação.

Sempre devemos fazer a diferenciação entre a coprofagia comportamental e a clínica. É possível diferenciá-las através do histórico do paciente, avaliação da dieta e do ambiente onde reside, manejo que os donos têm com o cão, exame físico completo e exames complementares. Quando for diagnosticada a coprofagia clínica, deve-se proceder ao tratamento da patologia pré-existente a fim de resolver a ingestão fecal.

Quando o problema for comportamental exclusivamente podemos:

  • Proceder à limpeza dos excrementos logo que o animal defecar;
  • Passear com o cão a fim de que defeque na rua, caso venha a querer mesmo assim ingerir as fezes, utilizar focinheira para retirar o hábito;
  • Oferecer um petisco logo após defecar, assim aguardará sempre a recompensa não associando mais o momento com a ingestão fecal;
  • Uso de medicações específicas a fim de tornar as fezes desagradáveis à ingestão.

Também verificamos inúmeros relatos de proprietários que utilizam abóbora na dieta, assim conseguiram que seus cães encerrassem esse hábito desagradável, mas não temos comprovação científica a respeito desse uso.

Dra. Viviane Dubal – CRMV/RS 8844

Formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e proprietária da Clinica Veterinária Saúde Animal em Porto Alegre. Contato: vivianesd@bol.com.br

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05.09.2011

Pancreatite em cachorros

O pâncreas é um órgão responsável pela produção de enzimas digestivas e alguns hormônios. Tais enzimas digestivas fazem a digestão de carboidratos, proteínas e gorduras.

Os hormônios produzidos pelo pâncreas são:

* insulina: responsável pela redução do nível de glicose sanguíneo;
* glucagon: responsável pela elevação do nível de glicose sanguíneo;
* somatostatina: controla a liberação dos dois hormônios anteriores.

O pâncreas se localiza próximo ao estômago e ao duodeno no abdômen do cão. Devido a sua importância na digestão e na produção de hormônios, as patologias do pâncreas possuem significativa relevância na prática clínica.

A pancreatite é a inflamação do pâncreas, pode ser dar de forma aguda ou crônica. Essa inflamação pode levar a quebra dos mecanismos de defesa que impedem que o pâncreas seja digerido por suas próprias enzimas digestivas, assim ocorre um processo de autodigestão.

Quando ocorre pancreatite, vários sistemas do corpo do cão podem ser acometidos:

  1. Gastrointestinal: a inflamação do pâncreas pode comprometer o estômago e intestino que estão próximos levando à redução na motilidade de ambos;
  2. Hepático: pode ocorrer comprometimento pelo vazamento de enzimas do pâncreas ao fígado e vesícula-biliar;
  3. Respiratório: pode ocorrer edema pulmonar em decorrência da pancreatite;
  4. Cardiovascular: podem ocorrer arritmias cardíacas pela liberação de determinados fatores pancreáticos;
  5. Hematológicos (sanguíneos): a coagulação sanguínea pode ser ativada sem ferimentos ou lesões.

Essa doença geralmente acomete animais adultos por volta dos 6 – 7 anos de idade.

Verificamos que os sinais clínicos mais comuns são:

# Letargia, inapetência;
# Vômitos;
# Perda de peso;
# Dor abdominal;
# Diarréia.

As causas da pancreatite ainda não são totalmente conhecidas, mas verificamos que dietas ricas em gorduras e proteínas podem predispor o animal. Outros fatores como administração errônea de medicamentos também podem predispor ao problema, assim como agentes infecciosos como a toxoplasmose.

Alguns fatores de risco são arrolados como causadores da pancreatite: obesidade, diabetes melitus, síndrome de Cushing e insuficiência renal crônica. O diagnóstico é realizado via exames de sangue (hemograma e bioquímica sanguinea) e exames de imagem (rx e ecografia).

O tratamento da pancreatite é hospitalar, com administração de medicações e fluidoterapia intensiva. O cão é mantido em jejum total por até 5 dias a fim de reduzir a produção de enzimas pancreáticas, e depois pequenas quantidades de alimento são introduzidas lentamente.

O prognóstico da pancreatite é reservado para os casos em que ocorre necrose ampla do pâncreas, mas para os demais casos geralmente o prognóstico é favorável.

As falhas no tratamento geralmente ocorrem com a alimentação prematura do paciente, antes de o pâncreas estar totalmente recuperado e apto para produzir enzimas novamente.

Dra. Viviane Dubal – CRMV/RS 8844

Formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e proprietária da Clinica Veterinária Saúde Animal em Porto Alegre. Contato: vivianesd@bol.com.br

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